
Tarde de inverno. Tempo ameno. Sol querendo se pôr. Raios fugidios entre altos prédios intuem-se mais pelos reflexos que pela própria presença. O ar está leve e agradável.
Em tão aprazível tarde, irrompe um certo caos não convidado. Ou na verdade, um caos de convidados. Correria, vozerio, diversão alheia. Energia infinita pulsando ao redor dos mais sossegados. Por sorte, a desordem não requer minha atenção.
Mesmo no caos, observo a placidez das árvores. Despidas de suas folhagens, filtram os prédios ao redor, como se fossem véus, suavizando os contornos, criando molduras. Respiro. Percebo o movimento a minha volta. Haja pique! Continuo calmo e sereno. Apenas observo. A paisagem apenas está ali, alheia ao caos que se desenrola.
Personagens desfilam, gritos aumentam e diminuem, microfones alternam com música a árdua tarefa de romper o silêncio, espalhando vibrações distorcidas e ruidosas. E muitos apreciam. Aliás, a maioria aprecia. Por isso o barulho persiste.
Eu me junto à paisagem, preferindo ficar alheio. Entretanto, o dever social vem bater à porta. Atendo, interagindo e buscando me integrar. Vejo que há quem compartilhe minhas opiniões, há quem sinta a opressão do caos. Vejo também que há quem adore isso. Respeito todas as posições. Mas fico com a minha.
Agradável tarde de inverno.
Proveito!

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