A fala serve evidentemente para tentar comunicar idéias, percepções, sensações, pensamentos e sentimentos de um ser humano para outro. Porém, ela acaba sendo muito mais que isso, frequentemente fugindo a seu propósito.
A fala ocupa o lugar do pensar silencioso. A fala é uma fuga e um escudo. A fala ocupa espaços vazios. A fala engana.
Encontrei o Ciro e conversamos sobre o assunto. Como funciona isso em você?
Ele disse, calma e francamente o seguinte:
"Falo para fingir que sei. Como minha retórica é muito convincente, meu conhecimento parece multiplicado. Exacerbo o que sei, disfarço quando não sei e sou até capaz de inventar, especulando sobre o que não sei.
Falo para esconder o medo. O fato de compartilhar o medo ajuda a diminuir seu impacto. O fato de falar, mesmo de outras coisas, ajuda a me manter ocupado e dar menos importância ao medo. Sei falar bem, e isso me dá segurança.
Falo para chamar a atenção. Se quero ser percebido, eu falo. Meu corpo não é de modelo, meu rosto não é de ator, não sou daqueles que chamam a atenção naturalmente, só de passar. Supro isso com meu discurso. Conquisto pela fala. Jogo charme, seduzo com palavras cultas, com linguagem rebuscada ou exibo meu conhecimento (ainda que oco). Ganho respeito, admiração, validação e, às vezes, me sinto até desejado.
Falo para encobrir minhas fraquezas. Invento desculpas, desvio as atenções para outros assuntos e me livro de expor meus defeitos, minhas falhas. Faço lindas promessas, mostro que sei o que é correto e espero que com isso não percebam o incorreto que fui.
Falo para impor minhas idéias. Manipulo, convenço, induzo, negocio – tudo através da fala. Uso minhas ferramentas para chegar onde quero. Ainda bem que costumo querer o bem. E se não chego onde quero ou não convenço, tento mudar de assunto.
Falo para dar consolo, para iluminar (ainda que com uma simples vela) o caminho de quem me procura. Tenho com isso a esperança de me sentir grande e magnânimo.
Falo demais, isso sim! Falei demais de novo? Hahaha!"
Fiquei quieto, pensando naquelas palavras. Quanto disso está em mim? Figura, esse Ciro!
;)
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Vida
A única certeza que temos, ou que deveríamos ter, é a de que vamos morrer. Digo que deveríamos ter porque muitos agem como se fossem viver para sempre. Desperdiçam suas vidas, deixam o tempo se esvair como se restassem séculos de vida para serem vividos. Na verdade, nem um século de vida temos pela frente, nem mesmo sabemos se temos uma década, um ano ou um dia.
Todos morreremos. Existem apenas algumas diferenças: quando e como. Posso morrer de velhice daqui a 60 anos, posso morrer de doença ano que vem, posso sofrer um acidente a qualquer momento. Quando e como.
Mas existe uma outra diferença fundamental. Algo que realmente importa, muito mais do que o modo como morreremos ou o momento em que a fatalidade virá. A grande diferença é o que fazemos daqui até lá.
Agora estou vivo, um dia morrerei. O que vou fazer nesse intervalo? Como vou viver meus dias? Passarei o tempo fazendo planos ou vivendo cada minuto como se fosse o último? Me fecharei dentro do meu mundinho particular, alheio ao mundo exterior, ou me doarei, fazendo tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar os que me cercam? Que legado deixarei?
Se bem não faço idéia do que é certo ou errado no modo de viver nossos dias, uma coisa é clara para mim: temos que pensar no assunto, encarar a morte de frente e tomar uma decisão. Não podemos simplesmente ir vivendo, precisamos tomar posições e viver com intenção. Viver com intenção. A morte vai chegar e isso é uma lição. E lembre-se, a morte não avisa, ela simplesmente chega.
Viva cada instante como se fosse único. Até porque... é único!
Todos morreremos. Existem apenas algumas diferenças: quando e como. Posso morrer de velhice daqui a 60 anos, posso morrer de doença ano que vem, posso sofrer um acidente a qualquer momento. Quando e como.
Mas existe uma outra diferença fundamental. Algo que realmente importa, muito mais do que o modo como morreremos ou o momento em que a fatalidade virá. A grande diferença é o que fazemos daqui até lá.
Agora estou vivo, um dia morrerei. O que vou fazer nesse intervalo? Como vou viver meus dias? Passarei o tempo fazendo planos ou vivendo cada minuto como se fosse o último? Me fecharei dentro do meu mundinho particular, alheio ao mundo exterior, ou me doarei, fazendo tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar os que me cercam? Que legado deixarei?
Se bem não faço idéia do que é certo ou errado no modo de viver nossos dias, uma coisa é clara para mim: temos que pensar no assunto, encarar a morte de frente e tomar uma decisão. Não podemos simplesmente ir vivendo, precisamos tomar posições e viver com intenção. Viver com intenção. A morte vai chegar e isso é uma lição. E lembre-se, a morte não avisa, ela simplesmente chega.
Viva cada instante como se fosse único. Até porque... é único!
terça-feira, 1 de abril de 2008
Alimento
Palavras fluem, às vezes espontaneamente. A beleza delas é variável. A inspiração parece externa, como se fosse alheia ao próprio pensamento. Varia conforme o ambiente, conforme o humor, conforme o nível de fantasia do dia. Aliás, este é um ponto fundamental: a fantasia.
Eu sou evidentemente movido a fantasia – me alimento dela. Se estou enfraquecido, emocionalmente instável ou desanimado, busco a fantasia e ela me restaura. Quanto mais viajo em devaneios e contos, mais me restabeleço. Isso faz parte de mim desde pequeno, eu apenas nunca tinha me dado conta de tal fato.
As fantasias podem ir da mais simples realização diária – um pequeno desafio dando certo – até as mais fantásticas, povoadas de bruxos e dragões. Podem estar no presente, no passado ou no futuro. Podem ser deste mundo ou de mundos alternativos. Podem competir com O Hobbit ou com Jason Bourne. Podem conter sabedoria e aprendizados ou podem acelerar-se em ações e aventuras das mais "bondianas".
Agora me deleito com uma nova forma (nova para mim) de viver essas fantasias: o papel. Claro, hoje é a tela do computador, mas o simbolismo do papel é mais rico. É nesse espaço branco, livre, disponível, que posso expressar as loucuras que pululam em minha mente. Aqui encontro uma via que deixa as palavras fluírem. Aqui a inspiração se torna realidade. Aqui tenho uma forma alternativa de (simplesmente) ser.
Eu sou evidentemente movido a fantasia – me alimento dela. Se estou enfraquecido, emocionalmente instável ou desanimado, busco a fantasia e ela me restaura. Quanto mais viajo em devaneios e contos, mais me restabeleço. Isso faz parte de mim desde pequeno, eu apenas nunca tinha me dado conta de tal fato.
As fantasias podem ir da mais simples realização diária – um pequeno desafio dando certo – até as mais fantásticas, povoadas de bruxos e dragões. Podem estar no presente, no passado ou no futuro. Podem ser deste mundo ou de mundos alternativos. Podem competir com O Hobbit ou com Jason Bourne. Podem conter sabedoria e aprendizados ou podem acelerar-se em ações e aventuras das mais "bondianas".
Agora me deleito com uma nova forma (nova para mim) de viver essas fantasias: o papel. Claro, hoje é a tela do computador, mas o simbolismo do papel é mais rico. É nesse espaço branco, livre, disponível, que posso expressar as loucuras que pululam em minha mente. Aqui encontro uma via que deixa as palavras fluírem. Aqui a inspiração se torna realidade. Aqui tenho uma forma alternativa de (simplesmente) ser.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Insanidade
Não vejo descrição melhor do que "insanidade". Passamos horas brigando e discutindo por coisas que nada agregam à vida dos que participam. Vendas, entregas, pagamentos, logística. O propósito humano está totalmente desvirtuado. Em vez de trabalhar pelo crescimento e pela evolução da raça, passamos nossos dias a sustentar nossa superficial forma de vida.
Nos aglomeramos em colônias tão grandes e tão amontoadas que geramos necessidades que nunca deveriam existir. A quantidade de gente fazendo nada produtivo é enorme. O tempo que passamos cuidando de nós como Seres Humanos é pífio.
Burocracia, administração pública e privada, prestação de serviços de forma geral – tudo improdutivo. Mercado financeiro, bolsa de valores, crédito e cobrança – tudo improdutivo.
Além de não produzir, nos desgastamos com isso. Passamos boa parte de nossas vidas enfurnados em grandes caixotes de concreto, às vezes sem janelas, cuidando de... nada!
Se temos um doente, precisamos um médico para cuidar dele. Precisamos também uma enfermeira. Esta por sua vez precisa uma auxiliar. E precisamos também alguém na faxina. Assim temos o titular, o assistente, o auxiliar, o auxiliar do auxiliar, o estagiário do auxiliar do auxiliar. E se cria toda uma estrutura agigantada para respaldar isso, incluindo o respaldo da estrutura (já agigantada) com alimentação, segurança e administração dessa população toda.
E, na verdade... para que estamos aqui nesse planeta mesmo?
Insano.
Nos aglomeramos em colônias tão grandes e tão amontoadas que geramos necessidades que nunca deveriam existir. A quantidade de gente fazendo nada produtivo é enorme. O tempo que passamos cuidando de nós como Seres Humanos é pífio.
Burocracia, administração pública e privada, prestação de serviços de forma geral – tudo improdutivo. Mercado financeiro, bolsa de valores, crédito e cobrança – tudo improdutivo.
Além de não produzir, nos desgastamos com isso. Passamos boa parte de nossas vidas enfurnados em grandes caixotes de concreto, às vezes sem janelas, cuidando de... nada!
Se temos um doente, precisamos um médico para cuidar dele. Precisamos também uma enfermeira. Esta por sua vez precisa uma auxiliar. E precisamos também alguém na faxina. Assim temos o titular, o assistente, o auxiliar, o auxiliar do auxiliar, o estagiário do auxiliar do auxiliar. E se cria toda uma estrutura agigantada para respaldar isso, incluindo o respaldo da estrutura (já agigantada) com alimentação, segurança e administração dessa população toda.
E, na verdade... para que estamos aqui nesse planeta mesmo?
Insano.
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