domingo, 15 de novembro de 2009

Frase - Compreensão

"No momento em que você compreende o quanto é parte integrante de tudo aquilo que lhe acontece, você fica pronto para escrever o novo roteiro de sua vida."

Ian Mecler

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A Tão Falada Fala

A fala serve evidentemente para tentar comunicar idéias, percepções, sensações, pensamentos e sentimentos de um ser humano para outro. Porém, ela acaba sendo muito mais que isso, frequentemente fugindo a seu propósito.

A fala ocupa o lugar do pensar silencioso. A fala é uma fuga e um escudo. A fala ocupa espaços vazios. A fala engana.

Encontrei o Ciro e conversamos sobre o assunto. Como funciona isso em você?

Ele disse, calma e francamente o seguinte:

"Falo para fingir que sei. Como minha retórica é muito convincente, meu conhecimento parece multiplicado. Exacerbo o que sei, disfarço quando não sei e sou até capaz de inventar, especulando sobre o que não sei.

Falo para esconder o medo. O fato de compartilhar o medo ajuda a diminuir seu impacto. O fato de falar, mesmo de outras coisas, ajuda a me manter ocupado e dar menos importância ao medo. Sei falar bem, e isso me dá segurança.

Falo para chamar a atenção. Se quero ser percebido, eu falo. Meu corpo não é de modelo, meu rosto não é de ator, não sou daqueles que chamam a atenção naturalmente, só de passar. Supro isso com meu discurso. Conquisto pela fala. Jogo charme, seduzo com palavras cultas, com linguagem rebuscada ou exibo meu conhecimento (ainda que oco). Ganho respeito, admiração, validação e, às vezes, me sinto até desejado.

Falo para encobrir minhas fraquezas. Invento desculpas, desvio as atenções para outros assuntos e me livro de expor meus defeitos, minhas falhas. Faço lindas promessas, mostro que sei o que é correto e espero que com isso não percebam o incorreto que fui.

Falo para impor minhas idéias. Manipulo, convenço, induzo, negocio – tudo através da fala. Uso minhas ferramentas para chegar onde quero. Ainda bem que costumo querer o bem. E se não chego onde quero ou não convenço, tento mudar de assunto.

Falo para dar consolo, para iluminar (ainda que com uma simples vela) o caminho de quem me procura. Tenho com isso a esperança de me sentir grande e magnânimo.

Falo demais, isso sim! Falei demais de novo? Hahaha!"

Fiquei quieto, pensando naquelas palavras. Quanto disso está em mim? Figura, esse Ciro!

;)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Vida

A única certeza que temos, ou que deveríamos ter, é a de que vamos morrer. Digo que deveríamos ter porque muitos agem como se fossem viver para sempre. Desperdiçam suas vidas, deixam o tempo se esvair como se restassem séculos de vida para serem vividos. Na verdade, nem um século de vida temos pela frente, nem mesmo sabemos se temos uma década, um ano ou um dia.

Todos morreremos. Existem apenas algumas diferenças: quando e como. Posso morrer de velhice daqui a 60 anos, posso morrer de doença ano que vem, posso sofrer um acidente a qualquer momento. Quando e como.

Mas existe uma outra diferença fundamental. Algo que realmente importa, muito mais do que o modo como morreremos ou o momento em que a fatalidade virá. A grande diferença é o que fazemos daqui até lá.

Agora estou vivo, um dia morrerei. O que vou fazer nesse intervalo? Como vou viver meus dias? Passarei o tempo fazendo planos ou vivendo cada minuto como se fosse o último? Me fecharei dentro do meu mundinho particular, alheio ao mundo exterior, ou me doarei, fazendo tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar os que me cercam? Que legado deixarei?

Se bem não faço idéia do que é certo ou errado no modo de viver nossos dias, uma coisa é clara para mim: temos que pensar no assunto, encarar a morte de frente e tomar uma decisão. Não podemos simplesmente ir vivendo, precisamos tomar posições e viver com intenção. Viver com intenção. A morte vai chegar e isso é uma lição. E lembre-se, a morte não avisa, ela simplesmente chega.

Viva cada instante como se fosse único. Até porque... é único!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Alimento

Palavras fluem, às vezes espontaneamente. A beleza delas é variável. A inspiração parece externa, como se fosse alheia ao próprio pensamento. Varia conforme o ambiente, conforme o humor, conforme o nível de fantasia do dia. Aliás, este é um ponto fundamental: a fantasia.

Eu sou evidentemente movido a fantasia – me alimento dela. Se estou enfraquecido, emocionalmente instável ou desanimado, busco a fantasia e ela me restaura. Quanto mais viajo em devaneios e contos, mais me restabeleço. Isso faz parte de mim desde pequeno, eu apenas nunca tinha me dado conta de tal fato.

As fantasias podem ir da mais simples realização diária – um pequeno desafio dando certo – até as mais fantásticas, povoadas de bruxos e dragões. Podem estar no presente, no passado ou no futuro. Podem ser deste mundo ou de mundos alternativos. Podem competir com O Hobbit ou com Jason Bourne. Podem conter sabedoria e aprendizados ou podem acelerar-se em ações e aventuras das mais "bondianas".

Agora me deleito com uma nova forma (nova para mim) de viver essas fantasias: o papel. Claro, hoje é a tela do computador, mas o simbolismo do papel é mais rico. É nesse espaço branco, livre, disponível, que posso expressar as loucuras que pululam em minha mente. Aqui encontro uma via que deixa as palavras fluírem. Aqui a inspiração se torna realidade. Aqui tenho uma forma alternativa de (simplesmente) ser.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Insanidade

Não vejo descrição melhor do que "insanidade". Passamos horas brigando e discutindo por coisas que nada agregam à vida dos que participam. Vendas, entregas, pagamentos, logística. O propósito humano está totalmente desvirtuado. Em vez de trabalhar pelo crescimento e pela evolução da raça, passamos nossos dias a sustentar nossa superficial forma de vida.

Nos aglomeramos em colônias tão grandes e tão amontoadas que geramos necessidades que nunca deveriam existir. A quantidade de gente fazendo nada produtivo é enorme. O tempo que passamos cuidando de nós como Seres Humanos é pífio.

Burocracia, administração pública e privada, prestação de serviços de forma geral – tudo improdutivo. Mercado financeiro, bolsa de valores, crédito e cobrança – tudo improdutivo.

Além de não produzir, nos desgastamos com isso. Passamos boa parte de nossas vidas enfurnados em grandes caixotes de concreto, às vezes sem janelas, cuidando de... nada!

Se temos um doente, precisamos um médico para cuidar dele. Precisamos também uma enfermeira. Esta por sua vez precisa uma auxiliar. E precisamos também alguém na faxina. Assim temos o titular, o assistente, o auxiliar, o auxiliar do auxiliar, o estagiário do auxiliar do auxiliar. E se cria toda uma estrutura agigantada para respaldar isso, incluindo o respaldo da estrutura (já agigantada) com alimentação, segurança e administração dessa população toda.

E, na verdade... para que estamos aqui nesse planeta mesmo?

Insano.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Contabilidade

Egberto nota um certo tédio ao ter que conviver com uma realidade que não condiz com seus sonhos. Ele fita a lista de tarefas a fazer. Longa lista. Desinteressante. Excesso de números. Totalmente sem emoção. Seus pensamentos vagueiam longe dali, imaginando uma realidade alternativa. Nessa realidade as coisas são mais fáceis. Ele tem a riqueza que deseja, o sucesso almejado e a tranquilidade profissional que gostaria de ter. Ele faz o que gosta, ganha muito bem por isso e se sente mais que seguro.

O sonho dele era ser escritor. Mundos de idéias pululam em sua mente. Desejos ardentes de despejar incessantes torrentes de palavras no papel o queimam por dentro. Fazem com que se sinta irrequieto em funções administrativas e rotineiras. Ele odeia contabilidade. Ele ama as palavras. Ele ama descrever o mundo que o rodeia.

"Um dia nunca é igual ao outro! Nesta empresa temos emoções diárias! Tem que matar um leão por dia para sobreviver: quando você pensa que acabou uma, já vem outra!"

Todas exclamações típicas de quem está atabalhoado de trabalho. Mas, no fundo no fundo, não passa de trabalho administrativo. Até as bombas já se tornaram rotinas. Não tem mais emoção. O tumulto virou ruído de fundo. Aquelas frases viraram ecos sem sentido, vazias de conteúdo. Viraram mera retórica conversacional para a hora do cafezinho.

Egberto encara a tela do seu computador. A tela o encara de volta.

- Tá olhando o que?

- Tô olhando tua cara de parvo, olhando desmotivadamente pra mim.

- Cara de parvo, eu?

- Ou de bobo, como preferir. Parece que encara uma planilha como quem vê o jornal das 8 (da semana passada).

- hmpfmpff... E não deixa de ser. Você não me apresenta nada de novo!

- Claro, queridinho. Quem tem que trazer novidade para esta telinha é você, não eu. Sou mera consequência dos teus clicks... Percebe?

- Sei...

- Gosto quando teus olhos brilham, olhando pra mim. Isso em geral acontece quando você assiste algo divertido no YouTube. Ou quando lê um e-mail especialmente interessante (o que só acontece com e-mails particulares, claro). Os papos via MSN então... esses são quentes. Vejo você viajando, se transportando a outra realidade.

- Ah... isso eu gosto! Conversar com esse povo louco, que só fala besteira, que ri sem medo de ser feliz, que critica sem medo de represálias, que fala de tudo um pouco! Isso é de veras desestressante!

- Pois é, mas não é pra isso que você está sendo pago!

- Ihhhhh, agora você virou meu patrão, foi? Ou vai se intitular a "voz de minha consciência"???

- Que nada. Eu só observo. Vejo tuas grandes sacadas, vejo tuas perdas de tempo, vejo tuas ações efetivas e contundentes, vejo tuas enrolações.

- To achando que você vê demais. Será que se eu te trocar por um modelo mais antigo vai ver menos e ser menos enxerido?

- Ha ha ha! Até parece!

- Até parece o que?! Você está é muito abusado!

- Eu? Vê se te enxerga! Você precisa ver sua cara de louco, conversando com um computador! Ai se alguém te olha agora! Vão te internar, você vai sair daqui na camisa de força! Ha ha!

- (...)

- Caiu a ficha, foi? Se deu conta?

- Me dei conta que estou trabalhando demais e perdendo minha sanidade. Imagina, prestando contas a um computador!?! Aliás, já deu a hora. Vou bater meu cartão e sumir daqui. Agora só amanhã.

- Boa noite, usuário querido!

- Boa noite, meu velho Compaq.

- Bom descanso.

- Obrig... Ah! Olha eu falando com o computador de novo!

Egberto desliga o computador, deixa a contabilidade de lado e volta a este mundo, resmungando o quanto detesta aqueles lançamentos contábeis sem fim. Pelo menos até encarar o trânsito no seu carrinho 1.0. Aí ele vai divagar novamente. Quem sabe ele conversará com o volante...

sábado, 29 de setembro de 2007

Alienação

Longas horas me separam da realidade
Tempo
Dia e noite
nada mais são que manifestações exteriores de uma realidade que não me pertence
Navego num mar interior
capturado em meus mundos
de um continente a outro
divagando, passeando, viajando

Meu mundo me recebe e me acolhe
Como o lar que acolhe o filho pródigo retornando
Meu mundo me dá espaço
Um espaço que a realidade externa nunca deu
(ou eu nunca soube colher)

Lá fora o tempo passa, nuvens vem e vão, em ritmos incoerentes e inconstantes
Como num filme que acelera o relógio
Dias sucedem noites que sucedem dias que sucedem noites
E aqui dentro estou eu
Aqui dentro eu sou

Mas a alienação não é total, já que os dois mundos se tocam
A alienação dá lugar a intercâmbios tresloucados ou super sérios com o mundo exterior
Me relaciono
Me comunico (pobremente, mas comunico)
Me faço perceber como se estivesse presente
No mundo que todos acham ser seu

Rio deles
Me divirto com seus próprios devaneios
Quando acham que essa realidade é deles
Se tornam possessivos
Querem ter o controle
Como se algum ser humano pudesse ter o controle da folha amarelada que se desprende em seu derradeiro vôo numa tarde de outono
Ou pudesse controlar seu próprio envelhecimento
Ilusões de controle, é o que a modernidade nos traz
Nos faz pensar que controlamos a idade de nossa pele, de nossos músculos, de nosso coração
Quando na verdade não controlamos nada
Nada disso nos pertence
É uma realidade externa, exterior, alienada
Na qual apenas transitamos

E essa realidade existe para que tenhamos contato com outros seres nela alienados
Para que tenhamos os ensinamentos que este mundo pode nos dar
Através dos professores e mestres, sejam eles magistrados ou simples pessoas simples
Simples humildes que nos mostram o caminho assim como o Sol do equador nos mostra o oeste no poente de um casual final de tarde
Podemos aprender de tudo que esta estranha realidade nos apresenta
Podemos ver ensinamentos em cada momento de vida

Basta estar vivo
E acordado
Nem é preciso estar nessa realidade externa
Basta observá-la desde o conforto do mundo interno
Com a única condição de estar presente
De ser