quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Jantar agradável - comunicação de novo!

Ontem tive o privilégio de receber bons amigos para apreciar queijos e vinhos. Foi uma noite muito agradável, com conversas das mais variadas. E justamente numa dessas conversas surgiu outro exemplo interessante das falhas de comunicação.

Minha amiga Cleide (nome fictício, claro, para proteger a privacidade dos envolvidos) está fazendo um curso desses bem longos, sempre com a mesma turma e com diversos professores. Ela contou que meses atrás discordou do ponto de vista de um professor sobre uma colocação feita numa das aulas. O professor era um médico, mas praticava medicinas “alternativas”. A discórdia, porém, foi sobre uma característica do curso de medicina, não sobre a especialidade ou a prática dele.

Meses mais tarde, uma colega de turma fez um comentário do tipo “Cleide, qual é mesmo teu problema com medicinas alternativas?”

[Talvez este seja um bom momento para um aparte sobre minha amiga Cleide. Ela tem um pavio longo, muito longo – longo como um fio de cabelo do Ronaldinho. Ela defende ferozmente seus pontos de vista e tem uma forte preocupação com conteúdo.]

Imaginem, pois, a reação dela ao infeliz comentário da colega. Ontem, só de contar o caso, ela exprimiu tão claramente sua indignação que ficou vermelha! O que mais a incomodou foi a aparente falta de inteligência da colega, que entendeu tudo errado e voltou ao assunto com uma visão totalmente distorcida do ocorrido.

O que aconteceu?

Lembram do velho e básico esquema de comunicação aprendido na escola? Aquele que mostra o Emissor, o Receptor, a Mensagem, o Meio, o Ruído e a Retro-alimentação? Pois é, tem o Ruído! E o ruído pode ser uma simples distração, ou uma interpretação sob uma ótica muito diferente. A colega, por algum ruído, interpretou o evento como uma reação da Cleide à prática de medicinas alternativas por parte do professor – o ponto da discórdia teria sido apenas um pretexto para contrariá-lo.

Observem, temos aí os seguintes elementos:


  • o ponto de discórdia, tecnicamente falando, entre a Cleide e o professor;
  • um eventual motivo subjacente, nas entrelinhas, que motivou a discórdia;
  • uma leitura inapropriada pela colega;
  • uma volta ao assunto também inapropriada;
  • uma total intolerância ao ponto de vista da colega por parte da Cleide.
  • São componentes suficientes para múltiplos mal entendidos. Complexo, não acham?

    Atenção! Cuidado! Qualquer coisa que eu diga ou faça pode ser (e será) interpretada como cada ouvinte quiser. E isso vale para todos.

    Por isso, se em algum momento eu preciso transmitir alguma mensagem de grande importância a alguém, vou tomar todos os cuidados (e mais um pouco) para me certificar que o entendimento desse alguém é exatamente aquele que era esperado. É fundamental assegurar que o entendimento é como precisa ser.

    A comunicação não é o que eu digo, é o que o outro entende.

    Taí, filosofei!

    Abrakos!

    terça-feira, 28 de novembro de 2006

    Copo d'água

    Olha só o que me aconteceu há poucos anos, no trabalho, e que exemplifica o que eu disse ontem.

    Cheguei no escritório cedo, liguei meu computador, fui até a copa e me servi um copo d'água. Levei o copo até a mesa, como fazia habitualmente, e o deixei para tomar ao longo da próxima hora.

    Alguns minutos depois, chegou uma secretária. Ela veio me cumprimentar e trazer alguns papéis. Ao ver o copo d'água, ela discorreu sobre como a água retém "energias negativas" do ambiente, e como (por isso mesmo) não devemos tomar água que esteja parada e não protegida - principalmente em ambientes tensos como o do trabalho. Eu ouvi o que ela tinha a dizer, e bebi a água. Ela me olhou com cara de poucos amigos, se virou e foi embora - evidentemente chateada.

    O que aconteceu? Eu ouvia o discurso dela pensando que essa história de "energia negativa" pode ser bem verdade, mas que não se aplicava, tendo em vista que o copo era recém servido. Eu pensei que ela, com certeza, estava partindo do pricípio que a água estivera ali desde a véspera. Pensando isso, eu bebi a água esperando que ela fizesse algum comentário - do tipo "mas eu não acabei de falar?" - assim eu teria a deixa para concluir brilhantemente "mas esta água é de hoje!" ou algo do gênero. Entretanto, ela nada disse e foi embora, achando que eu não dava ouvidos a ela e ainda por cima a afrontava! Não tive a ocasião de me explicar...

    Eu pensei que ela pensou que eu pensei que... como é que é? Sei lá, me perdi!

    Se eu tivesse respondido, concordando (ou não) e explicado que a água não era da véspera, tudo teria ficado em paz. Foi um mal entendido. Culpa dela? Claro, ela não perguntou, nem reclamou, simplesmente se foi. Culpa minha? Mais ainda!!! Eu não exprimi meus pensamentos, esperei por uma fala que não aconteceu e eu fiquei sem palavras.

    Falha na tão famosa comunicação. Fácil meter os pés pelas mãos, não é?

    Abrakos!

    segunda-feira, 27 de novembro de 2006

    Comunicação

    O curioso dessa história de tecnologias de informação é ver como as pessoas comunicam pouco. Por um lado existem cada vez mais meios: celulares, rádios, internet, e-mails, blogs, web-vídeos – cada vez mais ferramentas para facilitar e tornar prática, rápida e viável a comunicação. Por outro lado, as pessoas continuam não sabendo se comunicar.

    Percebam como temos conflitos, atritos, desgastes, por simples falta de comunicação. Na verdade, não basta ter os meios para comunicar – precisa ter conteúdo. E muitas vezes o conteúdo significa admitir uma fraqueza, admitir que errou, admitir que tem emoções e sentimentos. Muitas vezes o que precisa ser comunicado fica escondido por trás de máscaras que ditam nosso comportamento.

    O que comunicar? Contar o trivial quotidiano, o superficial e leviano é fácil. Falar muito dizendo nada também é fácil. Difícil é ir mais fundo. Deveríamos comunicar aquilo que nos aproxima dos outros, aquilo que nos torna mais humanos. Abrir mão de imagens que queremos transmitir e nos permitir ser mais transparentes. Deveríamos buscar derrubar barreiras, estreitar laços. Às vezes bastam palavras simples – por favor, por gentileza, obrigado, agradecido, desculpa, “foi mal” – mas sinceras!

    Será que você consegue? Será que eu consigo?

    Abrakos!