Minha amiga Cleide (nome fictício, claro, para proteger a privacidade dos envolvidos) está fazendo um curso desses bem longos, sempre com a mesma turma e com diversos professores. Ela contou que meses atrás discordou do ponto de vista de um professor sobre uma colocação feita numa das aulas. O professor era um médico, mas praticava medicinas “alternativas”. A discórdia, porém, foi sobre uma característica do curso de medicina, não sobre a especialidade ou a prática dele.
Meses mais tarde, uma colega de turma fez um comentário do tipo “Cleide, qual é mesmo teu problema com medicinas alternativas?”
[Talvez este seja um bom momento para um aparte sobre minha amiga Cleide. Ela tem um pavio longo, muito longo – longo como um fio de cabelo do Ronaldinho. Ela defende ferozmente seus pontos de vista e tem uma forte preocupação com conteúdo.]
Imaginem, pois, a reação dela ao infeliz comentário da colega. Ontem, só de contar o caso, ela exprimiu tão claramente sua indignação que ficou vermelha! O que mais a incomodou foi a aparente falta de inteligência da colega, que entendeu tudo errado e voltou ao assunto com uma visão totalmente distorcida do ocorrido.
O que aconteceu?
Lembram do velho e básico esquema de comunicação aprendido na escola? Aquele que mostra o Emissor, o Receptor, a Mensagem, o Meio, o Ruído e a Retro-alimentação? Pois é, tem o Ruído! E o ruído pode ser uma simples distração, ou uma interpretação sob uma ótica muito diferente. A colega, por algum ruído, interpretou o evento como uma reação da Cleide à prática de medicinas alternativas por parte do professor – o ponto da discórdia teria sido apenas um pretexto para contrariá-lo.
Observem, temos aí os seguintes elementos:
Atenção! Cuidado! Qualquer coisa que eu diga ou faça pode ser (e será) interpretada como cada ouvinte quiser. E isso vale para todos.
Por isso, se em algum momento eu preciso transmitir alguma mensagem de grande importância a alguém, vou tomar todos os cuidados (e mais um pouco) para me certificar que o entendimento desse alguém é exatamente aquele que era esperado. É fundamental assegurar que o entendimento é como precisa ser.
A comunicação não é o que eu digo, é o que o outro entende.
Taí, filosofei!
Abrakos!
