sábado, 29 de setembro de 2007

Alienação

Longas horas me separam da realidade
Tempo
Dia e noite
nada mais são que manifestações exteriores de uma realidade que não me pertence
Navego num mar interior
capturado em meus mundos
de um continente a outro
divagando, passeando, viajando

Meu mundo me recebe e me acolhe
Como o lar que acolhe o filho pródigo retornando
Meu mundo me dá espaço
Um espaço que a realidade externa nunca deu
(ou eu nunca soube colher)

Lá fora o tempo passa, nuvens vem e vão, em ritmos incoerentes e inconstantes
Como num filme que acelera o relógio
Dias sucedem noites que sucedem dias que sucedem noites
E aqui dentro estou eu
Aqui dentro eu sou

Mas a alienação não é total, já que os dois mundos se tocam
A alienação dá lugar a intercâmbios tresloucados ou super sérios com o mundo exterior
Me relaciono
Me comunico (pobremente, mas comunico)
Me faço perceber como se estivesse presente
No mundo que todos acham ser seu

Rio deles
Me divirto com seus próprios devaneios
Quando acham que essa realidade é deles
Se tornam possessivos
Querem ter o controle
Como se algum ser humano pudesse ter o controle da folha amarelada que se desprende em seu derradeiro vôo numa tarde de outono
Ou pudesse controlar seu próprio envelhecimento
Ilusões de controle, é o que a modernidade nos traz
Nos faz pensar que controlamos a idade de nossa pele, de nossos músculos, de nosso coração
Quando na verdade não controlamos nada
Nada disso nos pertence
É uma realidade externa, exterior, alienada
Na qual apenas transitamos

E essa realidade existe para que tenhamos contato com outros seres nela alienados
Para que tenhamos os ensinamentos que este mundo pode nos dar
Através dos professores e mestres, sejam eles magistrados ou simples pessoas simples
Simples humildes que nos mostram o caminho assim como o Sol do equador nos mostra o oeste no poente de um casual final de tarde
Podemos aprender de tudo que esta estranha realidade nos apresenta
Podemos ver ensinamentos em cada momento de vida

Basta estar vivo
E acordado
Nem é preciso estar nessa realidade externa
Basta observá-la desde o conforto do mundo interno
Com a única condição de estar presente
De ser

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Vergonha Nacional

Estes dias li numa revista que ao buscar no Google Brasil a expressão "Vergonha Nacional" (assim, entre aspas) o resultado traria em primeiro lugar o site do Senado Federal. Fiquei abismado, achando que era alguma palhaçada, pegadinha ou coisa do gênero. Pois fui conferir.

Pasmem!!! Pura verdade. Eis uma cópia simples do resultado:
"
Senado Federal - Brasil
Informações e notícias sobre o funcionamento do Senado, processo legislativo, legislação e orçamento da União.
www.senado.gov.br/ - 36k - Em cache - Páginas Semelhantes
"

Há poucos instantes voltei a tentar. Aparece um link patrocinado na frente, mas o Senado segue lá. Pergunto eu, sem muita originalidade: que país é esse???

Endosso as críticas do Arnaldo Jabor, que com sua língua ferina expõe as ridículas manobras de uns e de outros para fingir que nada aconteceu, que está tudo bem, que são todos inocentes. É uma palhaçada infindável.

Eu sou um cidadão de bem, pago meus impostos (sim, todos eles)! Trabalho sei-lá-quantos meses no ano para o governo devido à carga tributária hipopotâmica (perdoem o neologismo) que pesa sobre nossos ombros. De repente, aparece um indivíduo que deveria ser confiável, que foi elevado a seu cargo pelo VOTO popular, que deveria ser fiel guardião do dinheiro público... metendo a mão no dinheiro!!! Mil raios!!! É o MEU dinheiro! Suei para contribuir com meus tostões, paguei dobrado por obrigações do Estado, e vem um pilantra e leva MEU dinheiro???

Se pudesse, dava o sinal, mandava o motorista parar e saltava. Acho que meu ponto já passou. É assim que grandes cérebros emigram. É assim que o futuro da nação se desilude e abandona o barco. É assim que regamos as árvores que nos darão seus frutos para nos alimentar amanhã, que nos darão sombra para nosso repouso...

Verdadeira Vergonha Nacional!!!!

Sim, sou apenas mais um cidadão indignado... mais um para a lista...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Terceirização

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Quero terceirizar a chateação, a burocracia, a encheção de saco, as tabelas a cumprir. Quero me dar ao luxo de me elevar a um mundo sem essas preocupações mundanas.

Pagamentos, vencimentos, cadastros, inscrições, documentos, agendamentos – quero me livrar dessas responsabilidades. Que outro se preocupe com o cumprimento de prazos, com as obrigações diárias e que me requisite quando for estritamente necessário.

Enquanto isso, vou me ocupar com coisas mais nobres:
Criar, escrever, orientar pessoas, iluminar almas, ser útil.
Me deleitar com as maravilhas deste mundo, me extasiar com a natureza da obra humana.
Brincar com as palavras e deixar que elas brinquem comigo.
Jogar conversa fora.
Dar atenção às crianças, antes que não sejam mais crianças.
Dar atenção à esposa antes que ela não seja mais minha esposa.
Dar atenção a mim mesmo antes que eu seja outro e não mais me reconheça.

Vou terceirizar o que desgosto e focar no que gosto. Me dar ao luxo de ser feliz!

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